quarta-feira, 25 de abril de 2018

O gosto da falta

Tive uma crise. Tranquei-me no banheiro e chorei compulsivamente durante não sei quanto tempo, e não lembro a última vez que me senti assim, tão frágil e vulnerável. Quis ver meus pais, pensei em minha mãe e chorei, chorei, chorei...sentada na tampa do vaso sanitário, olhando embaçadamente os azulejos da parede. Cansei de chorar, mas nenhum comando racional foi recebido pelos meus olhos e toda e qualquer imagem que me surgia se transformava em sofrimento na velocidade da luz. Resolvi tomar um banho, mas simplesmente o mundo ali era tristeza, saudade e frustração. A água quente fez as vezes dos abraços que não tenho, e não poder distinguir minhas lágrimas das gotas d'água fez do momento algo menos ruim.

O mundo às vezes parece mesmo um mar de tristeza, só mar, sem continente nem ilha, sem barco ou companhia. Ai nos trancamos no banheiro, choramos por nossos pais, nossos filhos; lustramos nossas saudades (no plural errado mesmo), uma por uma; consolamos nossos sonhos, um por um, e acalmamos nossas frustrações como se fossem crianças magoadas. "É preciso ser mais forte", falo para o espelho - e nada ouço de volta. 

Quando rever meus pais vou abraça-los com força, é nisso que penso. Entendi que nunca mais vou voltar para casa, que não há casa no mundo que seja minha, e é por isso que me tranco no banheiro mais próximo quando sinto essa saudade estranha. Não tenho para onde voltar e isso me perturba. Deus não sabe o que faz e, como criança, esconde-se.

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