quinta-feira, 24 de abril de 2014

Contemplação como uma forma de felicidade.



Felicidade singular é a Contemplação. É um tipo de felicidade que não se compartilha, como que uma felicidade solitária. É preciso silêncio para que aconteça tal felicidade, um silêncio interno que permite escutarmos o mundo, sua música soa trazendo calma e nossas almas se tornam capazes de enxergar o sublime.
Sublime! Que palavra cara, o pingente de ouro dentre as nossas invenções conceituais, em minha opinião. Sublime, uma beleza feiticeira, intocável... Está na grandeza do abismo, na vulnerabilidade de um bebê dormindo, na lentidão aparente das nuvens. Diante do sublime o intelecto se desarma e finalmente descansa, como se tamanha beleza não carecesse de alguma explicação.
Felicidade inocente, então, é a contemplação. Sem ciência, desprovida de teoria, objeto que a razão é incapaz de alcançar; a razão o percebe mas não o alcança, não consegue pega-lo em suas mãos para despedaça-lo, reconstruí-lo e assim entende-lo, tal objeto escapa de nossas capacidades, é maior que tudo quanto nossas faculdades são capazes de abraçar.
Contemplação é regozijo da alma e inocência é condição para isso. Os humanos erram em estruturar suas concepções de felicidade sobre os instáveis terrenos do intelecto uma vez que este não é capaz de entender a razão do belo. A beleza, mesmo incompreendida, nos move, nos atrai, nos amedronta e inspira.
Mesmo sendo um desconforto saber os limites da nossa razão, saber que é pequeno o nosso tamanho, de alguma forma, isso é bonito. Enxergar nosso tamanho nos permite um lugar no mundo, tudo que existe precisa de um espaço. A beleza tecnicamente não existe, ela é como algo que transita pelos espaços vazios do universo, contorna os objetos e os ascende às vistas de nossas almas desprovidas de retina. Quando a alma enxerga o mundo, o contempla e é feliz.
 Selmy Menezes.