sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

feliz ano novo.

Hoje é dia de escrever. É necessário estar em paz pra escrever bem.
2013 não foi um ano fácil. Descobri muitas coisas sobre mim, sobre os outros e sobre a vida; e a vida ainda me parece mais importante.
Ser adulto é por muitas vezes engavetar os sonhos, e eu fiquei triste em saber disso. Entristeci-me também em descobrir que não é possível doar-me a qualquer um. Descobri amargura nos humanos, muita culpa, violência e medo... Eu desaprendi a respirar; meu estomago aprendeu a dar nó em si mesmo; meu cérebro se acostumou a doer do lado esquerdo, logo acima da nuca. Simplesmente, o mundo de bondade em que eu vivia se desfez, e eu descobri um novo. Um mundo que tenta sobreviver apenas. Todas as espécies lutando entre si por mais um pouco de ar, de terra e água. E essa tal felicidade que todos amam, não é o sentido da vida.
 Felicidade não tem utilidade, o sentido da vida é sua razão de ser, e ninguém é útil só por ser feliz.  A vida trabalha em função de si mesma, é divina. Ser a razão da própria existência é ideia precisa e grande demais para caber em nosso torto e pequeno intelecto.
Durante esse ano que passou pensei muito sobre a razão da minha vida, e a única coisa que concluí foi que é melhor eu trabalhar enquanto penso.
Tudo que é bom e útil é com trabalho que se consegue. Tudo que é divino e digno é de graça, tal como o Espaço, a Beleza, até mesmo a Felicidade...  E é por essas coisas, que não sou triste. A tristeza às vezes me empurra, mas nem sempre caio. Quando se é forte, não se cai, as grandes árvores ensinam isso, elas resistem a tudo, menos à serra elétrica, e isso também é um ensinamento: o Homem tem um grande poder.
Tudo que o Homem inventa e valida a partir de um preço, não é digno, não é divino, não alimenta, não o torna mais forte. Nossas válidas invenções são aquelas que reproduzem de alguma forma algum traço divino e que nunca terão um valor comercial, como a vigésima sexta sonata de Beethoven, o grito de Vang Gogh, o sorriso de Mona lisa... A caixa de madeira que ganhei do meu pai, o cobertor de lã azul que Thiago aperta quando se lembra do filho... São invenções, são objetos, são compráveis, porém, quanto custam? A Musica não vale nem um nem um milhão de reais; nem a caixinha de madeira e nem o cobertor azul valem algum dinheiro, seus valores estão somente no coração de quem os ama. Alguns valores só são percebidos pelo coração. E são destes valores que um ser humano forte se alimenta, Beleza, mistério, amor, saudade...

E eu espero que 2014 seja um ano de plantio, e colheita.