segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Existência.

 Creio que nisso, todos concordamos: existimos.

 Existimos, e através dos meus sentidos eu percebo o mundo, eu sinto o cheiro do mundo, a cor do mundo, eu sinto o calor e o frio, o som e o gosto do mundo, eu com a junção dos meus sentidos, percebo a existência do mundo. Concluímos que eu, e o mundo existimos.

Eu sou pequena...tenho 1,60 de altura, peso 46 kg, quando calculo o espaço que eu ocupo no mundo, me sinto um grão de areia na imensidão do mar. Agora, se me vejo pequena quando penso no mundo, imagine só quando imagino o universo...

Tudo que sei do mundo é o que sinto dele, tudo que eu sei do universo, é que ele existe. Eu, tão pequena, alcanço a lua sempre que a vejo, eu sou o mundo quando o vislumbro em pensamento, eu existo, ocupo, eu faço parte do mundo, eu sou um ser que existe.

Eu existo, tenho massa, volume, predicados, atributos e um conjunto de hábitos que regem minhas ações. Nada nesse Tudo, é igual à mim.

 Então, eu, que sou só um ínfimo pedaço, como imagino o Tudo? De onde surgiu a idéia de Cosmos?

Por mais que a doença dos humanos: o excesso, me tenha afastado tanto do natural, em mim eu ainda sinto um grito do meu Eu. Que grita, chora e implora para que cumpra sua finalidade, que é fazer parte da harmonia do cosmos. A Harmonia subentende Naturalidade, não podemos forçar a harmonia.

Não precisa ser muito esperto pra notar que o mundinho dos seres humanos não é nem um pouco harmonioso, quem tem coragem de dizer que está tudo bem? que estamos fazendo o melhor? que estamos acertando? A realidade é que o Homem, não é e nunca foi sinonimo de Humano. Pq o homem, é esse ser inventado, esse ser sem liberdade que somos. Humano é aquilo que já sufocamos dentro de nós mesmos.

Humano é aquilo que sobra fora tudo que aprendemos e acreditamos ser. Pq o humano é natural. natural e harmonioso, como tudo que simplesmente existe.

Estou tão distânte do que sou realmente, que desse humano que sou, só percebo a existência. Se a existência é natural ela é também harmonica. Mas como já disse, estou distante do meu eu, distante de ser parte dessa harmonia do todo.

E é nesse ponto que a beleza invade a alma e repousa sobre às questões filosóficas, acalmando-as.

Como eu, que não sou harmonica, compreendo a harmonia? O engraçado é que Descartes pensou semelhantemente, creio eu, quando escreveu em suas Meditações, que "como um ser imperfeito, idealiza a perfeição?" . É essa essência, é esse humano, é esse o ponto.

Só idealizo a harmonia, pois dentro de mim, algo anterior ao que  fizeram de mim, esse algo é harmonioso.
Dessa harmonia que não vivemos, mas percebemos, surge o Belo. O belo é o fruto da harmonia.

Aristóteles, em seu livro A Poética, inicia seu pensamento afirmando que a poesia é imitação. Com "poesia", podemos entender "arte". Os humanos tem o dom inato de imitar. Logo, podemos concluir que sendo a arte fruto de uma característica intrinseca dos humanos, ela é real e faz parte do Humano, do qual nos distanciamos.

 O que nos liga à nossa essência é a capacidade que ainda temos de reconhecer o Belo e imitá-lo .

A Vida é Arte.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Certezas...

É bonito ter certeza das coisas não?!
Eu cresci ouvindo certezas...ouvindo inúmeras afirmações, e uma delas era "busque suas verdades".
Resolvi fazer filosofia, pra ir mais a fundo na minha busca por respostas, por verdades.
Eu cheguei aqui em Marília com meu copo cheio, mas não era cheio de certezas, não era cheio de histórias, não era cheio de paixões e muito menos de whisky, como pensam alguns...Meu copo era cheio de perguntas, de curiosidade, de afirmações tão verdadeiras quanto o sol negro que brilha ao meio dia lá fora, copo cheio de preconceitos, cheio de medo.
Ninguém acredita na minha vontade de acertar...hehehehe, eu dou risada...fazer o que?!
Apesar de ninguém acreditar, eu estou sim buscando um caminho acertado. Por acaso é errado se questionar? É errado medir a coerência dos argumentos? É errado decidir?

Desde sempre, todos ouvimos a frase "você é único, você é pensante, você é livre pra pensar"

Em minhas aulas, conheci a teoria de um cara chamado Charles S. Pierce, ele desenvolveu o Pragmatismo (busca pela verdade (conhecimento), apartir da analise dos habitos) . Hábito é uma tendência à repetição. É pela organização dos seus hábitos que vc constrói seu comportamento, sua maneira única de ser e de interagir com o ambiente, ou seja, o mundo todo.

O que compõe um objeto? Um objeto é feito por um certo material, tem uma certa forma e um certo peso. Do que é formada uma civilização? É formada por pessoas e suas relações. Agora...o que compõe o universo? ...
O universo é aquilo que abriga o tudo...e o tudo não será tudo se vc não existir...
Então podemos já afirmar que: vc é único e vai interagir de maneira única no mundo; e vc compõe a totalidade do universo tanto quanto uma molécula de oxigênio  que unida a duas de hidrogênio compõe a água.

Um pedaço do todo pode reclamar de ser o que é? O todo sem um pedaço é o resto, e o pedaço não é nala além de um pedaço.
Uma árvore pode reclamar de ser enterrada e ir viver no céu? Pode um peixe cansar de ser peixe e resolver viver no ar? Parece ridículo pensar nessas perguntas né? Mas se questione...Você poderia um dia deixar de ser vc? Se por acaso vc perder uma perna, deixará de ser vc? E se vc perder os braços? Os cabelos? Os seus sentidos? Responda...o que é você?

Você é aquilo que sobra quando vc põe de lado tudo que te ensinaram a ser. Se me encheram é pq me acharam vazia.  Mas eu não era vazia...Eu era e sempre fui um pedaço do universo. Pedaço que é único, que é um e todos ao mesmo tempo.
Quero ser única. Quero construir o meu eu, buscando ao máximo reconhecer o que de fato sou eu. Essa é a graça da vida, encontrar dentro de vc, o que te faz ser vc. Saber ser único.
Eu sou o que penso. Pq posso eu perder tudo na vida, posso perder até os movimentos, os membros do meu corpo, ser uma doente...Mas só vou deixar de ser, quando morrer. A única coisa que caracteriza um morto, é ele não poder pensar. E pelo amor de Deus não confundam pensamento com racionalidade, estou falando da consciência de estar vivo, seja ela como for.
A vida acaba quando vc deixa de interpretar. É isso que o vivo faz, interpreta, decide e executa.

Eu sou viva, sou única, sou pensante...Sou livre?
Eu sou livre pq o universo é mais forte do que as correntes que me prendem. O Eu é mais forte do que o Eu inventado, aprendido. Vc é livre pra escolher, e é escravo de suas escolhas.
Sou escrava de mim mesma, sou feliz por ser um pedaço do todo, pq o todo é lindo. É ele, nele e por ele.

Não afirmem em vão a frase "você é único, você é pensante, você é livre pra pensar".
Sejam vivos, sejam únicos, sejam livres.
Beijos.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

De volta pra casa.

Tchau Tchau sitio....

De volta pra minha vida, pra minha faculdade, pra minha cidadezinha, pros livros, pras longas noites sem sono, pros seriados de madrugada, pros professores de filosofia, pras conversas com Aristóteles, pras saudades de casa...


Essas ferias?....
Não exigem nem dois parágrafos pra descrevê-la.
Coisas muito boas, outras muito ruins e só.


Abraços.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O Planeta Vermelho.

Ella é uma menina pensativa....todos sabem disso.

Quando pequena, no inicio de sua adolescencia, Ella ganhou uma luneta. Passava horas e horas observando o céu, seus astros, seus encantos... Se apaixonou por Marte, o planeta vermelho.

Marte sim, era seu mundo....Ella nasceu por acaso na Terra, por um erro das estrelas, por um descuido de Deus.

Ella sonhava acordada, imaginava a vida naquele planeta, a falta de barulho, de outras pessoas, a falta do tempo. Ella imaginava que em Marte só o presente existia, o futuro e o passado não faziam sentido pq quando o momento é perfeito não há necessidade da existencia de lembranças e nem de planos.

A terra vermelha, as montanhas vermelhas....um mundo vermelho.

Tão maravilhoso quanto inalcançavel. Tão distante, tão....imaginario.

Ella, como todo mundo, desistiu de morar em Marte. Mas abriga em seu coração a eterna saudade do lugar que nunca pode estar; guarda com carinho os sonhos que regaram incontáveis noites; esconde com tristeza a vontade de ir pra lá.

Na Terra há felicidade, mas em Marte....o mundo é vermelho.

Beijos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Um caos.

Nenhuma palavra define melhor meu estado de espírito do que "cansaço"

Ontem eu comentei com Jether e Valeria "é incrível como nossos sonhos mudam ao longo dos anos". Eu lembro que ano passado, tudo que eu queria da vida era passar no vestibular, estar na faculdade e viver a vida de universitária...que sonho!
Pois virou sonho antigo. Hoje eu queria trabalhar logo dando aula, comprar um carro elétrico e ter um sítio.

Tudo na vida é cansativo de mais...é uma eterna espera....pra nada. Esperamos o dia chegar, pra esperar a noite, e depois o outro dia...e assim vamos, ao longo dos meses, esperando o fim, o fim de nós mesmos, o fim do mundo, o fim dos erros, dos outros, o fim da espera.

Eu espero demais....espero que gostem de mim, que voltem pra mim, espero que as ferias acabem pra chegar em casa e esperar o fim do semestre. Depois espero o fim do ano, espero, espero e espero.

Cansei....

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Um dia...

Imagine se Deus não nos tivesse dado outra chance...

Hoje foi um ótimo dia...apesar de minha vida amorosa não estar completamente resolvida, e ter chovido boa parte da manhã.

Eu lembro que quando eu tinha 5 anos de idade, morávamos no mesmo sítio em que Jether e Valéria moram hoje.

Quando chovia o quintal se perdia em meio à lama, Jether me dera uma bota de plático pra eu brincar na chuva, e eu era a criança mais feliz do mundo. Ao acabar a brincadeira, Valéria fervia água no fogão pra me dar banho quente e eu não me incomodava em tomar banho com uma caneca pq na minha cabeça banho era aquilo, banho era o momento do dia em que sua mãe resolve que está perto da hora do jantar e sua brincadeira precisa acabar, tanto fazia ter ou não ter um chuveiro elétrico.

Jether chegava no fim da tarde, sentava na cadeira da cozinha comigo no colo, tomava um café enquanto conversava com Valéria, eu me encostava no peito dele, a vibração de sua voz me fazia dormir, e assim o dia chegava ao fim e na manha seguinte eu acordava com Valéria cantando:

    "Acorda Maria bonita, acorda pra fazer café, o dia já está raiando e a polícia já está de pé".

Minha infância foi perfeita, com pães caseiros, cachorros, irmãos, Pai e Mãe.
Minha adolescencia foi engraçada, com colegas, encrencas, erros, escola.

E agora...seja lá a fase em que estou, ela é feita de amigos, faculdade, família, deveres, direitos...mas hoje, o mais importante são minhas certezas, são poucas, mas são certezas.

E...quando essa fase passar, eu estarei no meu sítio, talvez não naquele que eu e o Augusto escolhemos, mas em algum. Teremos um cachorro, uma lareira, um fogão à lenha, um carro antigo...teremos uma árvore com um balanço. Talvez, devido às insistencias, uma filho que terá os olhos dele.
Um dia, seremos tranquilos, acordaremos de madrugada pra ver a lua e comer fondue sentados no quintal. Faremos planos pro fim do ano. Finalmente teremos uma Camélia, guardaremos sua primeira flor dentro do nosso livro.

Um dia, olharemos pro passado dando risada de nossos enganos. Um dia olharemos pro futuro sem nenhum temor.

Um dia...olharemos pro presente e daremos um sorriso largo.

terça-feira, 12 de julho de 2011

A filosofia explica!

Existe uma corrente filosófica, que afirma que a Linguagem é uma doença do ser humano.
A maioria das pessoas olha para esta afirmação e nem se dá ao trabalho de analisa-la para para só depois descarta-la, afinal, a linguagem é o que move a sociedade, não há pq identificá-la como um problema em si! (é o que pensam).

Pois bem leitores. Viajemos por outros caminhos.

O que nos diferencia dos outros animais e das plantas é a nossa racionalidade. A racionalidade, que em primeiro plano parece ser uma dádiva, é justamente o que nos faz questionar, os bixos e as plantas não se questionam, não dizem "não" para a própria natureza, apenas existem, vivem o seu pleno "direito natural" (ESPINOSA-Tratado Teológico-Político). Não entender o mundo é o produto da racionalidade, é o que faz nos sentirmos fora do mundo. Todos temos a sensação de estarmos fora da realidade física, como se nossa mente fosse algo metafísico preso a um corpo.
 Aristóteles, analisando a lei de ação e reação, obviamente chega ao início de tudo, chega num ponto onde surge a necessidade de algo ter surgido de si mesmo, o que ele denominou de "primeiro motor imóvel", vulgo: Deus.

Na natureza, tudo está sujeito ao devir, estamos em constante mudança, estamos limitados ao início, meio e fim. A única coisa que é infinita, é própria natureza, sendo ela um universal, composto por particulares finitos. A natureza é infinita pq ela é si é o conjunto de todas as coisas, o que faz dela um ciclo sem fim.

Na própria natureza, tudo tem o seu devido lugar, e age de acordo com seu direito natural, fazendo assim parte do Todo sem nenhum tipo de discordancia ou negação. A Harmonia da natureza, é infinita em si mesma e é a causa de si mesma, logo...natureza é Deus.

A racionalidade humana, é o que nos faz olhar a natureza como algo alheio a nós mesmos. Pois não nos sentimos inteiramente parte dela e por isso não a entendemos. A racionalidade não é o algo a mais que faz de nós animais superiores, e sim o algo a menos que tirou de nós a capacidade de entrar em harmonia com o todo.

O princípio da filosofia é o espanto, é olhar o mundo e querer entende-lo. Logo, podemos concluir que o pq de tal espanto é a própria racionalidade.

Essa é uma conclusão racional para a eterna pergunta da filosofia, que é "o que é o conhecimento?". Conhecer é  ser parte do todo. Se assim fossemos, entenderiamos absolutamente tudo, pois não tentaríamos enquadrar o conhecimento dentro de um raciocínio lógico que o explique, que é a linguagem.

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O cristianismo tem tudo a ver com isso. Nas próximas postagens explicarei os pqs.
Somente peço para quem quiser acompanhar minha linha de raciocínio, que não se espante, e que tente se abster de qualquer tipo de preconceito ou fanatismo religioso.
Deus existe, e precisamos dele.
Abraços.

Selmy Menezes

terça-feira, 5 de julho de 2011

Marília

pensei que demoraria mais pra sentir sua falta.

Mas enfim....amo o sitio
como eu havia planejado, estou comendo muito pão caseiro
eu tenho um quintal
as flores que plantei quando ainda morava aqui, já brotaram e estão se multiplicando e espalhando pela frente da casa um ar de jardim...
as mangueiras estão crescendo...

Eu preciso achar uma planta, que represente a vida que eu tive. Assim como Ruben Alves planta uma árvore sempre que alguém importante morre, eu quero plantar alguma coisa que represente a morte do meu antigo Eu...

Quero encontrar também uma outra planta, que represente a vida que eu quero ter de agora em diante...Uma planta que dê flores de esperança, que tenha um cheiro doce como os sonhos, que dê uma sombra farta como a tranquilidade, uma planta que tenha raízes profundas, raízes que se firmam na terra afim de abraçarem o mundo! Quero achar uma árvore que seja forte o suficiente para aguentar as tempestade , que seja grande o suficiente para abrigar quem precisa! Quero uma árvore que contenha a essência da beleza pra que ela seja em sí um belo quadro, digno de ser admirado e retratado.

Eu quero, uma vida nova. Uma vida cheia de laços de seda, de estruturas de ferro, de camélias brancas, de uvas passas cobertas de chocolate, uma vida cheia de amigos, cheia de comida de mãe, uma vida salpicada de sorrisos, de abraços, de saudade, de olhares...

 Eu quero uma vida na companhia de outra, quero uma vida da qual eu compartilhe todas as alegrias e as tristezas com a pessoa que mais amo, e é com essa pessoa que eu vou tomar uma xícara de chá todas as noites da minha vida.

Augusto...não precisa ter medo de plantar uma árvore comigo.

Comentem...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Um recomeço.

Ao caminhar por uma estrada qualquer...Ella avista um atalho, uma placa empoeirada na beira da estrada, com uma seta e os dizeres "felicidade incerta" .Ella em sua infatilidade resolve seguir o atalho...áhh quantas flores, e quantos rios e cachoeiras, os cipós fazendo laços pelo chão, uma musica classica que acompanha a caminhada...derrepente um abismo.

Ella senta e chora, pensa ela "já andei até aqui, quem garante que não posso voar?". E Ella salta. O vento bate no rosto, leva os cabelos para cima, ela fecha os olhos pra sentir a queda, e o peso que não mais existe, o passado que pouco importava, o atalho que a trouxera a liberdade! Lá em baixo cai num lago, a água quente, uma flores boiando, o sol aquecendo a areia que rodeia a água.

Continua a caminhada, encontra uma floresta pouco iluminada, as árvores grossas fecham o caminho e escondem a linha de chegada...que linha de chegada? que chegada? Ella é corajosa, caminha devagar e sempre, toma cuidado com os espinhos, mas são tantos que uns prendem no cabelo, arranham o calcanhar. Mas a esperança da felicidade estava viva no coração de Ella, e ia a moça se emaranhando pelo mato, se cansando, se levando, se perdendo.

A floresta acaba e um descampado deixa-se ver. O céu azul não anuncia água, nao anuncia vento, não anuncia nada fora o azul que inunda a alma de Ella e a tranquilidade a deixa em paz, ela senta numa pedra grande e plana e se poe admirar o ambiente...se lembra da estrada que deixou pra traz, era tão cinza aquele asfalto, era tão frio, as britas no acostamento, as cruzes que marcavam os acidentes, que tristeza, e que felicidade de não estar mais lá...

A noite chega, e Ella sente frio. Sente saudade de sua cama quente, do chuveiro elétrico que a esperava em casa para um banho quente, a chaleira no fogão já com a água do chá. Ella se sente sozinha, a temperatura abaixa e Ella começa a sentir um desconforto e uma leve sensação de ter feito a escolha errada. Pensava ela "a estrada era feia mas pelo menos me levaria a um lugar certo". A noite não passa, as horas se rastejavam, o relógio marcava 6h e nada de o sol sair. 7h....8h....9h...a escuridão ainda adentrava cada canto do mundo...12h e o desespero já havia se instalado. Ella resolve voltar.

Pelo escuro, apalpando o chão, rasteja tentando encontrar o caminho de volta. Lembra-se da floresta, do lago, do abismo...como voltar? Ella se pergunta "quando pulei no abismo, voei ou cai?" ...
Depois de dias perdida, um rapaz magrinho, de olhos tristes e ombros caídos lhe aparece à frente :
- Perdida moça?
- Há dias.
-Quer ajuda?
- O problema é o paredão, eu pulei quando vinha, pra voltar...como fazer? Está claro que não sei voar...
O rapaz fita a moça com olhos cheios de compaixão, de pena, de tudo que pode ser sentido atravez do coração e não da razão.
- Voar eu não sei, mas sei escalar. Não sei qual o caminho que fizestes, mas sei criar um novo pra te levar de volta. Não sei te carregar no colo, mas sei lhe dar a mão.
- É tudo que quero.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Esperar.

Eu...conclui que:

O que há de mais feliz na vida é a sensação de alívio.
O que há de mais triste é a espera.

Eu esperei. Esperei o dia inteiro, a noite inteira, a vida inteira...pra descobrir mais tarde, que a vida é essa mesma.
O céu não é azul pra transmitir tranquilidade, é só oxigênio e nitrogênio.
As flores são coloridas não pra espalhar felicidade, e sim só por pigmentação.
A maioria das pessoas não se gostam, e sim vivem a conveniência da convivência.
As coisas ruins a vida oferece de bom grado, as coisas boas a gente tem que correr atras, e ainda assim sem garantia de sucesso.
Eu tenho saudades, e só espero.

Pedro Pedreiro

Chico Buarque

Composição : Chico Buarque
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando
Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando prá trás
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol esperando o trem, esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro espera o carnaval
E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando a festa, esperando a sorte
E a mulher de Pedro, esperando um filho prá esperar também
Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro tá esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo espere alguma coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar, mas prá que sonhar se dá o desespero de esperar demais
Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho prá esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte, esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém, esperando enfim, nada mais além
Da esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem...
Que já vem
Que já vem
Que já vem
Que já vem

quinta-feira, 16 de junho de 2011

É complicado.

Eu queria ter mais certeza das coisas.
Eu queria minha vida de volta, ao mesmo tempo que nunca mais quero ve-la.
Eu quero o meu cachorro de volta.
Eu quero o meu sitio de volta.
Eu queria tanto ter um barco.
Eu quero viajar mais, quero meus irmãos por perto.
Eu queria muito um quintal, uma xícara de chá.
Eu quero um carro elétrico. Quero uma árvore grande.
Eu quero meus amores, meus amigos, minhas plantas.
Um ipê de flores roxas.
Uma Camélia que dê flores iguais a saudade que sinto
Uma casa que abrigue minha ansiedade, minhas vontades, minhas loucuras.
Quero uma bicicleta que aguente o peso da minha mochila carregada de pedras dos lugares que conheci.
Quero uma luneta que me faça ir à lua.
Quero o alívio constante, a felicidade garantida, a euforia da ida.
A saudade da volta, a dor da partida.
Quero o mundo, entende-lo, cumpri-lo, segui-lo, vive-lo.
Eu quero tanta coisa...


Selmy Menezes

sexta-feira, 27 de maio de 2011

É

Realmente, ando com problemas pra me acostumar com minha vida tão...solitária dos ultimos tempos. Porém, ando me ocupando com : afazeres domésticos (triste), estudos...estudos....estudos...amigos! =)
A cada dia que passa....me acostumo mais, em breve estarei...99%

Milena, que saudadeeeeeeeee. É..isso é meloso demais...mas, não há muito o que fazer, sou sentimental com certezas coisas, desde que cheguei aqui. Mooorro de saudades de todo mundo, mas Milena....c sabe.. hehehehehehe. Você é você né minina.

Venham me visitarrrrrr!!!!!! Quero que vcs conheçam meu apê, minha parede de canudos, minha parede pixada, minhas comidas esquisitas, meus novos livros. Milena quero te mostrar a cidade, Mãe eu quero aquela babação toda!!! Jether eu quero nossas conversas!! Eu quero que tragam uma muda de Dama da Noite, quero pão caseiro! Quero roupa limpa...

Gente...saudades extremas!
Mas lembrem-se, não fiquem preocupados comigo viu! I'm fine.
Muitas alegrias aqui tb, amigos pra vida toda, risadas sem fim, despreocupação absoluta com tudo que não é de fato importante. Hakuna Matata.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ser só.

Hoje li um texto de Aristóteles, Politia I. Ele disse que o homem é um animal naturalmente sociável...me fez pensar.


Nos ultimos dias, penso muito a respeito das mudanças de minha vida. Pareço ser outra pessoa desde que cheguei aqui. Primeiro achei que estar longe de casa me traria felicidades e facilidades...é obvio que muitas coisas boas aconteceram, mas muitas ruins também.
Eu me sinto sozinha, tem muita gente do meu lado, mas nos momentos que estas pessoas saem, eu volto a ser só...eu não sentia isso em Sorocaba, mesmo sozinha...não estava só.

Me flagro as vezes falando sozinha...o silêncio do meu apartamento me sufoca as vezes. Ponho musica pra tocar, e ela preenche um vazio imaginario, mas o vazio físico, aquele que preenche os comodos do minha casa, o sofá onde me sento sozinha, a cozinha onde almoço sozinha...como é triste.

Eu...não sei como lidar com isso, mas não há muito o que fazer...preciso aprender a ser só.


"Filosofar é aprender a morrer."
Montaigne.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Bruno.- O que é filosofia ?

Bruno..."elite acadêmica" foi muito boa..me senti honrada. hehehehe

Enfim...Definir filosofia....vou lhe dizer..é impossivel hehehehe....Não existe um concenso, e por isso não há uma definição absoluta.
Mas, dando o meu parecer, filosofia é o estudo dos conceitos, não temos nada palpável pra estudar, estudamos o mundo das letras, das ideias, dos pensamentos, o mundo abstrato, sejá lá o que ele for, é o objeto de nosso estudo.

Não temos certeza de que existimos, quanto mais explicar pra uma pessoa comum que ela também talvez não exista...então, tentar pensar numa maneira de explicar, expor pra sociedade, pro povão, o que é filosofia, o que ela faz, no que ela ajuda...é igual a descrever o por do sol pra um cego de nascença.

mas enfim...filosofia é ter um olhar crítico sobre o mundo, sobre a sociedade, sobre nós mesmos....filosofia é uma boa velhinha, que não anda pra lugar algum, e fica pensando o dia todo, entendendo tudo, fica la no topo da lua, rindo da Terra, rindo da gente....

"Filosofar é aprender a morrer"
Montaigne

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Outra postagem.

Oii.
Na minha aula de teoria, tivemos que fazer um texto, resumindo um texto de filosofia escrito pelo doutor Antonio Trajano Menezes Arruda, que por sinal, é um dos meus professores, o de filosofia geral.
Fizemos o tal resumo, e todo mundo foi apedrejado pela professora de tutoria, todos os textos estavam errados, tivemos de refazer, e na segunda aula, apresentamos os novos textos, e todo mundo levou bronca denovo, menos Eu =) hehehehehehe....fiquei extremamente feliz, as correções no meu segundo textos foram leves, ela só pediu pra eu refazer minha definição de erro categorial.
Por essa minha primeira conquista em minha vida acadêmica, ínfima conquista, vou colocar aqui o meu texto já corrigido.
Beijos.

Tutoria I- Prof º Mariana
Filosofia da Linguagem

Selmy Menezes de Sousa.

No texto A Filosofia: sua natureza, seus problemas, seu método; escrito por Antonio Trajano Menezes Arruda (p.21), o autor expõe sua idéia do que vem a ser Filosofia da Linguagem.
Uma grande questão da filosofia é encontrar um método que, de certa forma, nos ajude a descobrir as respostas para as inúmeras perguntas que a filosofia apresenta.
Ligada a essa questão do método filosófico, está a filosofia da linguagem. O que explica essa ligação é o fato de termos que constantemente, nos apóias na própria linguagem para filosofar, isto é, para discutir temas e problemas filosóficos. Logo, conclui-se que o bom uso da linguagem, permite um melhor e maior entendimento sobre a apresentação de um problema filosófico, e também, obviamente, das muitas tentativas de respostas para este problema. O mau uso da linguagem, além de dificultar o entendimento dos conceitos, por vezes chega a deturpar o sentido dos mesmos. Dentre os muitos erros atribuídos ao mau uso da linguagem, está o erro categorial. O erro categorial acontece quando colocamos em uma mesma categoria algo que pertence a categorias diferentes.
Por fim, pode-se concluir que o domínio da linguagem permite clarificar os caminhos pelos quais andamos, em busca das respostas que tanto atormentam o mundo filosófico.
03/05/2011

Mudanças.

Olá pessoas.
As vezes eu lembro que meu blog tinha o objetivo de publicar o que eu pensava, minhas teorias, coisa e tal...hoje só serve pra manter contato com a familia e amigos, contar as novidades, contar, contar e contar...

Bem, tenho muitos livros pra ler, minha professora de tutoria me considera uma boa aluna, vejo filmes com frequencia, tenho um circulo de amizades de umas 20 ou 30 pessoas, eu como muito bem nos ultimos tempos, me esforço pra nao cair na rotina universitaria de comer miojo todos os dias. Morro de vontade de ter uma gata, estou pensando seriamente em conseguir uma lá pra...julho? nao sei...

Milena, Valeria, Jether, Vovó, Sitio, Jurupara, Piedade, Sorocaba, Igreja, Kombi, Mc Donald's, Cinema....aah...Augusto, Jesuina, Pr. Natanael, Cunhado, Central, Centro da cidade, Viva Voz, Ensino Medio, livros de romance....ahhhh que saudade de todos vocês...

Um beijo a todos, saudades incalculaveis.

Mas lembrem-se...eu estou bem. tenho um apartamento arrumadinho, uma faculdade maravilhosa, e toooodo tempo do mundo pra pensar.
bejoks

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Augusto.

Sim, mais uma postagem com esse nome, sinto que elas nunca vão acabar.


Xuxu, seus comentarios, suas mensagens, seus telefonemas...todos juram amor eterno. O que posso lhe dizer, é que sinto o mesmo, e jamais morrerá esse sentimento que construímos juntos.

Não é paixão, é amor de verdade, eu te amo por tudo que você é, por tudo que fez, por tudo que faz. A eternidade é construída a partir de cada dia, e nosso amor é assim, uma eterna saudade, uma constante construção de eternidade.

Terminamos, sim. Pq meus problemas e meus desejos me tornam indigna do seu amor e dedicação. Mas lhe asseguro, que todos os dias te amo, todos os dias choro, todos os dias sofro a dor de sua ausencia. Meus sorrisos nascem através da terra fértil de nossas lembranças felizes, dos seus sorrisos, dos seus olhares.
Lembrarei a todo instante, da felicidade que coloriu meus dias durante quase 3 anos, e por essas lembranças tenho garantida a felicidade pra minha vida inteira.

Eu te amo pra sempre, e desejo do fundo de minha alma que você receba do universo toda felicidade possível.

Um beijo grande, regado com toda saudade do mundo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Em off

Hoje foi dia de grandes...sentimentos. "Daria meu reino" (como diz Valéria) pra voltar no tempo, aii ai...voltar pro sítio de São Miguel Arcanjo (interior de SP), ter a minha jaboticabeira a qualquer hora, o açude com os peixinhos sujos, o cavalo velho que era mansinho mansinho...
Eu morro de saudades dos que amo, dos que me amam, sinto falta do ar puro do sitio, sinto muuuita falta de poder ver o nascer e o por do sol, do meu apartamento não se vê nada disso, pois meu próprio predio esconde o nascer do sol, e os predios do quarteirão vizinho escondem o por do sol.

Eu...morro de saudades, morro de amor...

Hoje, conversando com um amigo, nos perguntamos o que faríamos se soubessemos estar com uma doença gravissima e que teriamos 1 ou 2 meses de vida...Respondi que não faria nada, não procuraria a cura, eu iria até os que amo, abraçaria a todos, pintaria as paredes do meu apartamento de uma cor absurda, brincaria com tinta spray, viajaria de bicicleta, compraria uma barraca daquelas de vários comodos (à prestação claro), eu amaria um cachorro vira-lata, eu comeria muito chocolate, daria risada, fugiria com o Augusto.

Um beijo povo

quarta-feira, 27 de abril de 2011

"Aceitar a ilusão"

Muito bom.

O Bruno, em seu ultimo comentario no meu blog, disse que são mais felizes os que não questionam, ou os que aceitam a ilusão de realmente existir algo além do mundo sensível. Foi o que eu entendi.

De fato, quem acredita em Deus vê o mundo de maneira mais bonita, mais singela talvez. Não agoniza pelos conceitos metafísicos, não passam noites em claro pensando se há algo além das estrelas, se o universo é um ponto sem luz do grande quarto que Deus ocupa, seja lá o que Ele for, ou onde esteja.

Eu sou apaixonada pelas belezas da vida, amo os prazeres que nos são oferecidos, mas o mundo sensível aos sentidos, apesar de tanto me alegrarem, não bastam, eu queria sentir a razão, conversar e abraçar a consciência, queria olhar pra Deus contando as estrelas coladas em seu teto, queria tanto  sorrir pra felicidade, dar um aperto de mão no conhecimento...hehehhee, falar com toda essa galera metafisica ai.hehehehehe

Um grande beijo povo, Bruno, seus comentarios são todos pertinentes, keep writing!

"Carpe Diem" quer dizer "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente."
Rubem Alves.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Não me deixe...

Hoje, não tenho foto alguma.

Acordei cedo, umas 4h e meia da manha, fui pra varanda, um cheiro de cravo, fumaça de cravo, seja lá o que for. 1 ou 2 xicaras de café levemente adoçado, observei a movimentação do porteiro até 6 e meia da manhã. Tempo pra pensar, pensar na vida, na falta de vida...nas lembranças, no futuro.

Sara as vezes me visita, me conta alguns segredos, escuta outros, mas me deixa rápido, leva consigo a canela impregnada nos cabelos cacheados, leva minhas musicas, meus choros antigos...não se demora em meu sofá laranja.

Recentemente conheci Ella, me lembra muito Sara, tem olhos grandes e fundos, se encosta nas grades da varanda e fuma 1, 2...3 cigarros esperando a lua em seu ápice, Ella tem os cabelos longos, lisos, escuros, cheiram a fumaça a maior parte do tempo. Enfim, Ella é bonita, esperta, triste porém disfarça isso magnificamente bem.

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Eu, vou mudar de assunto.
Hoje eu quero falar de mim, não da minha rotina pq ela pouco importa, mas das coisas que acontecem dentro de mim, das vontades que explodem, dos erros que latejam, das feridas abertas. das cicatrizes expostas, das risadas contidas, escondidas, liberadas, há...são tantas as risadas, eu adoraria fotografa-las.
Me sinto ligeiramente perdida, não sinto mais a "presença" de Deus nas árvores, sinto só a frescura das folhagens, a beleza da sombra, a vida que emanam. Eu queria sentir Deus, sentir que eu estava certa quando o sentia, pq ultimamente confesso que meu lado espiritual anda bagunçado, minha alma, seja lá o que isso for, não tem mais o coração batento no mesmo ritmo que o meu coração humano, o pedaço de carne que me mantem com pulso.
Minhas tristezas, essas me afundam, nem sei inumera-las, muito menos descreve-las, só as sinto, há...estão por toda parte, não é exatamente uma tristeza, é mais uma melancolia, um "acinzentamento" da vida hehehehe...se o portugues assim me permitir inventar essa palavra.
Minhas dúvidas, essas se amontoam, nos cantos dos quartos, na sala, na mesa da cozinha, em cada pagina de todos os meus livros...meus livros, coitados, as vezes algumas obras que tenho são mutiladas por alguns professores que tenho, dizem "isso não é literatura!!!"...eu os amo assim mesmo.

Meus erros, estes sim, são palpáveis, eles estão empregnados em mim, como fumaça que se aloja em cada mísero espaço, ai...estão pela minha casa, escorrem nas paredes, sujam meus quadros, estão por entre as minhas roupas. E pesam, essas desgraças, creio que já chegam à uns 3 ou 4 kg! pesam na alma, na consciencia, me martelam a cada instante me perguntando "como vive com isso? nos liberte, nos esqueça!!!"....se fosse fácil esquecer os erros, não teriam inventado a brilhante frase que serve somente pra conforto de nosso coração "o passado não existe".

Minhas alegrias, são muitas, não nego, meus risos se espalham pelas escadas do predio as vezes, os amigos sentam no chão da sala, tocamos violão, Chico Buarque se faz presente com suas musicas eternas, Ana carolina me visita às noites. A sacada dá pra uma arvore gostosa, fresca, que me alegra a vista, me socorre as afliçoes, as saudades.

 Em relação ao título, sim, é pra vc , mas não é um "não me deixe Jack!!"....é mais profundo, e merece uma continuação:
Eu, sou uma perdida, sem bússola que me guie por essas estradas tortuosas de novidades constantes, de pessoas alucinadas, pessoas que invadem minha vida como se esta fosse uma área pública! Há, as ruas, os postes, as árvores da avenida Tiradentes, o Bosque da cidade, as musicas que me chamam pelo nome, droga de nome que escuto a cada meia hora.
Não me deixe...te levar comigo, é um caminho perdido, constante escuro, e vc pensa "são tantos risos!", claro que são, sempre haverão risos, mas o riso de nada importa quando a alma chora, quando a rotina massacra, quando o passado bate à porta.

Não me deixe amor....te levar comigo.

"Não vou pedir a porta aberta,
é como olhar pra trás,
não vou mentir ,
nem tudo que eu disse eu sou capaz...
Não vou roubar seu tempo eu já roubei demais..."
Ana Carolina.



Uns Beijos grandes a todos, sinto saudades imensas.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Meus sonhos.

É engraçado, ao longo da vida, principalmente na adolescencia, muitos nos perguntam "o que é que vc quer da vida??" , o questionador sempre acha que essa pergunta é facil de responder, mas na realidade, não há questão mais complexa.

Fazemos escolhas todos os dias, mas a pergunta por tras de todas elas é "por que?" .
Por que fazer faculdade? Fazer amigos? Ter uma casa? Criar um cachorro? Ter um filho? Pra quê viver?
Se Deus não existir, realmente nada faz sentido.

bejo povo
dois bejo xuxu(hoje fazemos 2 anos e 7 meses de namoro.)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Meus Eu's.

Há...como seria bom ser uma pessoa só.

Sinto que dentro de mim existem várias Selmy's, uma engraçada, uma melancólica, outra magra, outra gorda, uma é religiosa e a outra pervertida, uma é adulta e a outra quer se jogar na lama e brincar de légo.

Quando conheço uma pessoa, analiso sua personalidade, e vejo qual das minhas Selmy's mais se encaixa à pessoa, escolhida, aprensento-a, e assim faço amizades facilmente, é como se existisse uma Selmy pra cada pessoa, "uma eu pra cada alguém."

Isso tudo me fez ver, o quão dificil é achar qual desses Eu's sou eu, ou decidir se todos eles formam o que sou. Só sei, que me sinto feliz, pq sei de alguém que gosta de todas as Selmy's que dentro de mim vivem, esse alguém gosta da tristeza que em mim habita, da alegria que de mim brota, ele gosta do meu choro, do meu riso, ri e chora comigo, não de mim...comigo, eu sei de alguém que gosta da Selmy, seja ela lá quem for.

Hoje, eu queria uma certeza, queria que algum morto saísse de seu tumulo pra me contar o que há lá...além disso tudo aqui, além de todas as perguntas, além da falta de respostas.
Ontem, vi um desenho, no qual um personagem disse "Mas se Deus estiver ocupado fazendo raios, ou não existindo, é melhor eu tomar providencias" ...
Não existindo....

Eu queria ter certezas.
Um abraço geral.

Augusto, obrigada. um beijo, um abraço, saudades.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Um pouco muito grande dentro de mim.

Hoje ao telefone disse:
"Não demonstro tudo que sinto, e muitas vezes demonstro o que não sinto"
                                           Selmy Menezes




"Há dentro de mim, um mundo confuso de eternas paixões antigas.
 O mundo desabrocha já quase murchando,
 As minhas certezas estão dando adeus."

            Selmy

quinta-feira, 31 de março de 2011

Universal e individual.

Quando vc ouve  a palavra "cadeira", o que vem a sua mente? Uma de escritório? De plástico? De mesa? De madeira? É interessante notar que apesar de todas as diferenças que envolvem todos esses tipos de cadeira, todas elas tem em comum o fato de serem "cadeiras"....ou seja..."cadeira" é o universal, os tipos de cadeira sao os individuais. Logo concluímos que "cadeira" é um conceito, e ele é formado apartir das coisas que todos os diferentes tipos de cadeiras têm em comum, como: encosto, pés e assento.

Nessa linha de raciocinio, podemos levar a coisa pro lado dos seres humanos. O que define um Humano? Pensemos....pode ser: um par te olhos! Não...pq um neném que nasce sem os olhos ainda é um humano...assim, como aqueles que nascem sem orelhas, sem pernas, sem braços, surdos, carecas, tortos...o que faz de nós seres humanos não é nada palpavel, e sim abstrato, segundo a conclusão de Aristóteles, o que nos faz humanos é a razão. Mesmo sabendo, que todos somos humanos, e todos somos diferentes, Humano é o universal, as pessoas são os individuais.

Platão, analisando essa realidade, essa teoria, essa coisa qualquer, desenvolveu o que chamamos vulgarmente de "mundo das ideias", afinal, se não conseguimos encontrar aqui no mundo nada que seja universal, e sim somente encontrar coisas individuais, esse mundo em que vivemos é como um reflexo de um mundo onde só existem coisas universais.

Eu como uma péssima aluna, não tenho a menor ideia de quem é o criador dessa ideia, mas, tempos depois, um pensador, muito inteligente, ao pensar no assunto, concluio que no mundo existe 1 coisa universal...o espaço...não aquele negocio preto fora da terra, mas tão somente o espaço...afinal, o que define o espaço? Ele é ele por si só..."espaço é espaço" ....e pode ser encontrado no mundo, porém ele é o algo que está sempre preenchido pelas coisas individuais..

Enfim pessoas, acho que amanha me mudo para meu novo lar, um apartamento bem pertinho da faculdade, dois quartos, sala, cozinha e varanda. Consegui com uma pessoa uma cachorrinha igual a de Mel, só que é preta e branca, e não marrom e branca como Nalla.

Gente, preciso aprender frances.
bjo povo
dois bejos xuxu
saudades gerais

sábado, 26 de março de 2011

Saudade.

A dor é indescritível, incalculavel, imensurável.

Rany se foi, foi pro céu dos cachorros, foi pro nada além da vida, pra debaixo da terra, pras memórias, pras saudades....se foi enfim.

Cheguei em casa depois da faculdade, e estava lá, a tristeza materializada na morte da minha cachorrinha, no chão, no escuro, no frio...fria, gélida, sem a vida e a graça nos olhos que tanto encantavam quem a conhecia.
Mas...Rany foi feliz, foi cachorro de verdade, correu atras de passarinho, correu pela grama, morou no sitio, viajou, mudou de cidade, até teve filhotes...pintou o cabelo de rosa! hehehe....foi um cachorro feliz, eu fui uma dona feliz por ter tido a oportunidade de ter um cachorro como ela...
Lembro com felicidade de tuuuuuuuudo que Rany fez...das bagunças, das malcriações, das poses típicas dela, a cara de culpada arrependida hehehehe...Rany foi perfeita pra mim, eu amei cada segundo, e vou sentir saudades pro resto da vida.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Aulas

A pedidos....descreverei minhas aulas, minha vida academica que ainda se encontra no inicio da própria existencia.

No primeiro dia de aula, discutimos "o que vem a ser Filosofia", de fato,pergunta dificil de responder, e assim como quase tudo na filosofia, existem milhoes de respostas para a mesma pergunta, e todas baseadas sobre a triste incerteza...

Eu tenho 5 diciplinas: filosofia politica, filosofia antiga I, teoria do conhecimento, tutoria, filosofia geral.

Dentre essas 5, a Teoria do conhecimento é mais interessante, se trata da pesquisa milenar sobre o que é conhecimento...afinal, a resposta comum e mais simples é "conhecimento é saber a respeito de: " , ou "conhecimento é uma série de memorias a respeito de um mesmo objeto" ...mas a grande questão é que ninguem no mundo conseguiu claramente definir o que é "conciencia, memoria, pensamento, etc..." ....Platão em seu Diálogo de Teeteto inicia essa questão...e sabe o mais curioso? 2500 anos depois, ainda não temos a resposta.

Todos os meus professores são competentes demais...nos sentimos burros ao extremo no decorrer das aulas, pois eles sabem tudo...de tudo..hehehe...Meu professor de filosfia antiga só escreve em grego...praticamente todos eles são poliglotas, a Mariana professora de teoria do conhecimento, não pode dar aula na primeira semana pois estava exausta após chegar de um congresso na Holanda...enfim...sao vips.

Hoje as 11h, vou para uma entrevista coletiva para tentar conquistar uma bolsa da faculdade, que estuda "filosofia ecologica", uma vertente que estuda a complexidade de toda natureza em si, não indentifica o homem como o centro do mundo, muito menos o coloca no topo da cadeia alimentar, enfim..não sei explicar ainda do que se trata, simplesmente a corrente conscidera tudo que eh vivo de igual importancia..como se todos nós fossemos somente um ser mais provido de meios de sobrevivencia bem amplos....e só, mas uma árvore não está abaixo de nós...somente por ser uma árvore....deu pra entender? hehehehehehe....depois explico melhor...

Bom..vou pra entrevista..um beijo enorme....saudade de tudo e todos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Augusto.

Ta aí um que sinto falta....

Esse "um" como indicando um sujeito, é tipico daqui...ouço muito "aquele um ali, óóó presta não" hehehehehe....curiosidade*

Uma coisa que diminui muito minha solidão são as intermináveis conversas pelo telefone que tenho com o Augusto...ele preenche a falta de amizade, de cuidados comigo, de beijo, de abraço...eu quero casar.

Eu tenho casa, cachorro, quintal, fogão...panelas...um jogo de xadrez...até uma televisão....mas deixei em Sorocaba o que mais amo, o que mais faz falta, o que mais preciso...

Xuxu...será o ano mais dificil, o mais longo, mas esse mesmo ano que insiste em segurar o tempo, em prender os sonhos, em atrasar os beijos, será o mesmo a reforçar nossos laços, nossa amizade, nossa confiança, será o ano em que colocaremos finalmente no chão os blocos de pedra que formarão o caminho rumo ao nosso futuro....futuro este cheio de flores, de rosas nos vasos, de filhotes de cachorro..de bolinhos de chuva, de cobertor, de chá...muitos chás...

Eu amo você pra sempre, pra vida toda...pra toda vida.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Nada de fotos

Olá leitores, amigos, familia etc e tal...sinto saudades de todos voces.

A vida está corrida, mas boa...estou me acostumando com o fato de SER sozinha..e não de ESTAR sozinha...é bem diferente....
Estou me acostumando com as ruas, com as pessoas, com o vizinhos...As reformas na minha casa ainda não acabaram, mas fiquei chateada com a demora, e pedi um prazo para o término dessas obras, disseram que até o final da semana que vem ja estarei com a casa só pra mim, sem reformas, sem pedreiros, sem pó, sem tinta...aff..que sonho

Eu...muito inteligente, me enfiei num trabalho voluntario de ser professora substituta numa escola estadual aqui de Marília, pensei que isso mais pra frente poderia entrar no meu curriculo academico, ou que já poderia ser contado como estagio na faculdade, mas não, descobri que meu trabalho agora está valendo só de boa ação mesmo hehehehehe...mas digo pra vcs, não  há nada mais gratificante do que uma criancinha arregalar os olhos com tremendo espanto e declarar "ahhhhhh tia...entendi" . E por esses "tias, eu to entendendo", estou acordando 6h da manha todos os dias, pedalando 45 minutos entre ladeiras e avenidas, para voltar pra casa por volta das 2h, sem receber absolutamente nada no final do mês....Mas enfim, depois, num futuro qualquer, vou por no meu currilo "x tempo de trabalho voluntario numa instituição de ensino publico" =)
Estou com um projeto de dar aulas extra curriculares para alunos do segundo e terceiro ano do ensino médio, aulas de História, recheadas de arte e filosofia, os alunos me pareceram empolgados com a ideia.

Bom...é isso...sou tia, sou professora, sou ocupada, sou dona de casa, sou estudante, sou mãe de uma cachorrinha que vira e mexe fica doente, sou com saudade, sou carente, sou com sono, sou universitaria, sou aluna, sou namorada, sou filha, sou longe, sou distante, sou chorona...enfim....tudo que tenho direito.

Um beijo grande em todo mundo, saudades imensas de todos em sorocaba, saudade do sitio, do mato, de comida de mãe, de café da manha pronto, de casa limpa, de roupa lavada, saudade de kombi, de sogra, de brócolis, de couve no feijão....ahhhh feijão...saudade de computador em casa, saudade de panela de pressão, saudade de copo de vidro, de igreja, de Milena, de Mae, de Pai, de grama....saudades saudades saudades....

Mas...apesar dos pesares, sou mariliense, estudante de filosofia pela UNESP.

Um grande abraço
Um beijo xuxu.

terça-feira, 1 de março de 2011

Eu, Rany e Marília

(desculpem a foto torta, mas estou no pc da faculdade, e não disponho de muitos recursos)
A despedida sempre é triste, óbvio, mas aquela foi diferente. Jether me deu um abraço paternal, exalava preocupações e esperanças, Augusto, que tristeza, meu coração se partia em milhoes de pedaços enquanto o apertava num abraço, a ideia da distancia, da viagem, da saudade, simplesmente desesperador. Contive o choro, dei os devidos abraços e beijos, e eles se foram, eu fechei o portão verde da minha casa, caminhei sem pensar em nada até a entrada da sala.

Ao fechar a porta, desabei em prantos enquanto virava a chave para trancar a casa, Rany olhava pra mim sem entender nada, como quem diz "eles esqueceram a gente" . Fui chorando pra cama, o frio congelava meus pés, resolvi ler uma carta deixada pelo Augusto, o inicio dizia "Eu sempre estarei aí em pensamento".
Nunca me senti tão só, a casa é enorme pra 1 pessoa, Rany diminui a sensação de solidão imensamente, mas não resolve, daria tudo pra ela ter a capacidade de conversar comigo e pedir alguma coisa pro almoço.

De manha, eu tentei lavar roupa, foi uma tragedia, lavei tudo e por alguma razão as roupas "lavadas" continuam sujas. Fui de bicicleta até o centro da cidade, minhas pernas estão bambas até agora.

Todos me fazem falta, mas vc Augusto, não há Lingua Portuguesa que descreva o que sinto.

Um beijo a todos.
Um abraço e um beijo xuxu.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Finalmente.

Eu gostaria muito de colocar aqui a minha foto onde estou eu toda pintada devido ao trote da faculdade, escrito em verde na testa "BIXO" . Mas não estou com essa foto disponível no pc.

Gente, que felicidade, não tem nem como descrever a sensação de estar entre as pessoas que preencheram as 500 e poucas vagas da UNESP, eram 80 mil inscritos no vestibular...enfim, um sonho realizado.

O resultado sairia na quarta-feira, na terça feira eu percebi que tinha perdido meu RG e meu título de eleitor (documentos indispensáveis para realização da matrícula), então na quarta feira de manha, fui para Piedade para tirar uma segunda via dos devidos documentos, acabei gastando $ 50,00 para tal tarefa, foi horrível pois pensei que pagaria uns $10,00 no máximo. Às 2h da tarde, Valéria me manda uma mensagem no celular dizendo que tinha visto o resultado e meu nome estava lá! Eu fiz papel de doida no posto de gasolina em que estava na hora, sai gritando e pulando pra todo mundo ouvir que eu havia passado, que eu era universitária, que eu tinha conseguido!

A tarde foi feliz, almocei com o Augusto, demos risada, fizemos planos.

Às 6h da manha da quinta feira, eu e Valeria entramos no Onibus que nos levaria até Marília, a viagem dispunha de uma paisagem espetacular, plantações de pinheiros, de eucalipto e de café, nas primeiras 2h eu ainda estava feliz e só conseguia pensar em como seria quando chegasse em Marília, mas isso só aconteceu depois de 8h, isso mesmo, no total foram 8h de viagem!!

Ao chegarmos em Marília, pegamos um taxi até a faculdade, onde eu me matriculei, conheci umas 15 pessoas, entre eles meus veteranos, à noite dormi na casa de uma amiga que conheci pelo orkut a umas 2 semanas. Na sexta-feira, acordei determinada a procurar um lugar pra morar. Depois de muito conversar com as pessoas da faculdade procurando indicações, me disseram sobre uma velhinha que alugava edículas nos fundos da própria casa, ficava próximo à faculdade. Deixamos a mala na faculdade e fomos atrás da velhinha. A encontramos de joelhos no chão da calçada tirando os matinhos no pé do muro da casa, a abordei e perguntei sobre as edículas, ela disse que já estavam todas ocupadas mas que tinha uma casa para alugar, com dois quartos, quintal, ótimo preço. Fomos olhar a casa.Isso merece outro parágrafo.

Na rua sem saída, uma casa muito antiga esperava por nós 3. O muro de no máximo 1m de altura, um portãozinho fechado por um cordão. Na casa havia uma varanda pequena na entrada, as paredes descascadas, a torneira da cozinha gotejava assim como eu havia planejado hehehehe, o quintal estava sumindo em meio ao matagal, um pé de mamão nos fundos dava um ar de sítio ao local. Me imaginei morando lá, fazendo as reformas necessárias, as paredes num tom de creme, o tapete na sala, as flores no jardim em frente a casa. Me apaixonei.

Pegamos o onibus das 3h da tarde. No banco da frente, uma moça e seu bebê não me deixaram dormir durante um bom tempo, a criança chorava sem parar, nada a acalmava, até que depois de 1h ele finalmente dormiu embalado pela mãe (nunca entenderei o porque dos bebês se acalmarem quando são balançados por alguém, se alguem ficar me chacoalhando aí sim eh que não vou dormir nunca.) . Chegamos em Sorocaba 11h da noite, Jether foi nos buscar acompanhado de Milena e Regis.

Fui dormir as 3h da manha , empolgada, admirada com a vida, exausta, feliz...

Agora, estou fazendo uma vaquinha para fazer as devidas reformas, e pagar a viagem de ida pra lá.

Um beijo povo
Um monte de beijo xuxu.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Imaginário

Eu fui à imobiliária, eu escolhi o apartamento.
As paredes eram feias e nos cantos a tinta se negava a se prender à parede e fazer seu papel, eu as pintei de creme, todos os comodos menos meu quarto, esse eu preferi pintar de azul claro, eu escrevi na parede "eu consegui".
Não havia muitos móveis, quase nenhum na realidade, os comodos pareciam grandes devido ao vazio, o silêncio só se quebrava pela torneira do banheiro que insistia em gotejar, o vento entrava leve pela janela pequena da sala e balançava as folhas da camélia que levei plantada num vaso. No meu quarto, minha cama se acomodava no canto esquerdo, no chão umas três pilhas de livros, levei todos os meus livros, inclusive os que eu não vou ler hora nenhuma.

Eu não tinha geladeira, nem fogão, nem nada dos eletrodomésticos básicos, minha cozinha se limitava a uma fruteira, e alí ficavam as banans, as mangas, os abacates, laranjas, morangos...um pacote de sucrilhos em cima do balcão da pia ainda dava ao ambiente um certo ar de normalidade.

Eu acordei cedo, olhei pela janela e não reconhecia as pessoas que passavam, nem os prédios que se enfileiravam pela rua, cidade desconhecida, mundo novo a descobrir.
Eu escolhi as ruas pelas quais iria, eu selecionei os livros que compraria, eu andei pelo centro, eu conversei que rostos novos, meu olhar era curioso, eu andava a pé, eu não comia pão, eu lia muito, eu estudava, eu era feliz.

Eu acordei, não dormi hora nenhuma, mas acordei, tudo não passou de um mero sonho, um sonho qualquer.
Eu conferi na lista de aprovados, e não havia meu nome lá, li e re-li a lista, li nome por nome na esperança de terem colocado meu nome no lugar errado, desisti.

Mais um ano, vou engatar primeira, vou acordar aqui em Piedade mesmo...o tempo correu e me deixou por aqui.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Caminhar.

 Esses dias, ando tremendamente aflita, esperando ansiosa o resultado dos meus vestibulares, passo horas sentada olhando o canto da parede, imaginando as possibilidades tão incertas do meu futuro, ir ou não pra faculdade! Ou passar mais um ano aqui, vivendo a vida que vivem por mim.

Isso me fez pensar noutra coisa, nas esperas da vida. Os bebês esperam quase toda hora que alguma coisa traga sua mãe pra perto deles, que lhes deêm comida, banho, etc e tal; os jovens esperam a "vida", como se esta viesse pronta embrulhada numa caixa enfeitada e um cartão de felicidades: "Agora vc é adulto, aproveite sua casa, seu carro e seu emprego!" ; e os velhos, estes já deixaram seus pais, não esperam por suas mães, não esperam a vida, a maioria ja desistiu dela, e por fim esperam o fim da mesma.

A maioria das pessoas agem, como se a vida fosse uma eterna espera, e não uma espera por qualquer coisa! Não!! Uma espera por uma situação perfeita, pelo emprego perfeito, o casamento perfeito, as viagens, os filhos, os cães, os carros...Tudo está lá, num futuro próximo ou não, mas está, e é só esperar.

Engano. A "vida" não está lá escondida pelas frestas do futuro, não, ela está atrás de cada passo dado.
Eu ouço muito, de homens e mulheres, reclamações sobre seus relacionamentos amorosos, homens têm reclamações diferentes das mulheres, mas todo mundo, sem excessão, esperam mais do que se dão.
A vida, não é uma espera, e sim uma eterna entrega. Nós, e tão somente nós, somos os causadores do futuro, nós fazemos de nossa existência uma vida.

O romantismo do casal dos filmes, o faculdade dos comerciais de tv, a felicidade vitalícia, são coisas que nós mesmos construímos.
A felicidade se esconde atrás do primeiro sorriso que damos ao acordarmos.
O romantismo está sempre atrás da flor que nós entregamos, e não da que esperamos.
A faculdade está atrás de cada livro lido.

Demos pois, os primeiros passos, a caminhada é longa, e lá no futuro, a vida está a se desembrulhar.