quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Contrários ou opostos?


Num diálogo entre revoltados, ou revolucionários tal como gostam de serem chamados, um anuncia alto sua tão convicta ideologia, que por curiosidade mudará após um ou dois semestres:

-         Sou anarquista! E revolucionaremos o mundo!

 E mais curioso ainda, e por uma certa perspectiva até cômico, um outro, também cheio de certeza, levanta a voz mais alto ainda para defender a sua tão amada esperança de mundo novo:

-         Muito pelo contrário, eu sou com muito orgulho um comunista! Anarquistas libertinos!

 Eu e os meus ainda teremos muito que ouvir gente falando de política, centenas de anos ainda ouviremos discursos bonitos de pessoas que não sabem ao certo pelo quê lutam. Dizem-se contrários um do outro e por isso discutem tanto. São sim contrários, mas não opostos. Discutem porque se imaginam lutando cada um por uma causa diferente. Isso porque nem sabem ao certo o que querem da vida, quanto mais pelo quê lutam, mas isso é outro assunto. A questão é que, no fundo, provavelmente não sabem, mas talvez queiram do mundo as mesmas coisas, mas caminham por estradas diferentes, distintas. Como vizinhos que resolvem ir à praia, ambos com o mesmo objetivo, escolhem caminhos diferentes, um vai pelas avenidas, o outro prefere os atalhos e estradinhas de terra. Cada um com suas razões a respeito do caminho escolhido.

 O oposto, que é uma coisa diretamente contrária à outra, muitas vezes é simplesmente confundida com a palavra “contrário”. O contrário de anarquista pode ser um monarquista, um comunista, ou até mesmo um islâmico (por que não dizer?), agora o oposto de um anarquista, é uma pessoa que pouco ou nada se importa com política. E seguindo essa linha, o oposto de quem não quer ir à praia...Talvez seja um chato! Por que convenhamos que quem não gosta nem um pouquinho de praia, não gosta de mar, de sol nem de terra! E fala sério, o mundo todo é proveniente dessas coisas, não podemos desgostá-las. Praia é um lugar revigorante. Mas enfim. Oposto é uma coisa, o contrário é outra. Como dizem por ai “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.

 Sábios que são os ditados populares, aquele que diz que o “amor é o contrário do ódio”, é correto também. O oposto do amor, podemos dizer ser a Indiferença, e o ódio, sim é seu contrário.

 Quando eu amo alguém eu o quero o mais perto possível. Mas quando eu odeio alguém, eu não o desejo no ponto mais distante de mim no planeta Terra, desejo somente que não fique por perto. Ou seja, em qualquer outro lugar que não seja perto, existem mil possibilidades, quero somente que esteja distante. O contrário de abraçar pode ser estapear, chutar, etc. O contrário de agradar pode ser implicar como também por der ignorar, mentir, etc. Matematicamente falando, existem os positivos, os negativos, e o numero zero, todos os números com algum valor são contrários um do outro, somente o zero se opôs a tudo e resolver não ter valor algum, ser oposto.

 Então, para concluir, quem não pensa em política discute menos e é mais tranqüilo quem ama é mais feliz e quem vai à praia é mais saudável. E que contrário é uma coisa, o oposto é outra.

 

                                                                                                                        Selmy Menezes.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Amor e ódio

O amor e o ódio as vezes se confundem. Já senti ódio de tanto que amava, já amei o que no fundo detestava. O que é esse Amor então? Que do nada odeia, sorriso que logo vira pranto, abraço que logo se transforma num tapa! E esse tal ódio? Que me faz, tal qual um apaixonado, perder horas pensando em alguém, calculando, planejando, lembrando e sofrendo. O que é esse Amos e ódio que tanto nos parece conduzir? Onde o Eu fica quando ama ou odeia alguém? E esse alguém? Quem é tão digno ou tão culpado a ponto de ser merecedor de nossos cuidados, ou condenado à nossa perseguição? Quem nesse mundo é tão importante assim?

 Talvez o Amor seja fruto de uma noção de dependência. Talvez o Òdio de uma frustração pessoal. Mas independentemente das milhões de possíveis explicações a respeito do amor ou do ódio, sabemos que ambos estão ligados a ideia de valor. Amor é valor positivo, ódio é valor negativo. E assim decobrimos que o que une as ideias de amor e odio é a ideia de valor. Tendo isso em comum, jamais seriam absolutamente contrarios um do outro.

 O contrário do amor, assim como o do ódio, só pode ser algo que não inclua em sua noção particular a ideia de valor. Como a indiferença, que faz não valer a morte nem o nascimento, não faz declarar nem esconder, não acolhe nem expulsa, não mata nem leva á cama. Sem gosto ou cheiro, cor ou som, como o sofrimento de um desconhecido, o desinteressante passa desapercebido, sem nunca ter a chance de ser notado, não será nunca odiado, e jamais, jamais amado.