quinta-feira, 25 de abril de 2013

Um pai e um filho, e eu.


“Ele é meu filho.” Ele disse.  E levantou-se da grama pra chegar mais perto da jabuticabeira. Olhando pra cima e notando um Sangrim , assobiou o canto certo e o passarinho que dormia tranquilo acordou desconfiado. Olhando de lado, o passarinho ficou a pensar se daria atenção pra um humano que tentava falar com ele, aparentemente seu raciocínio duraria a eternidade, seu pai então desistiu de se comunicar, “afinal- disse ele- tem o pedaço do canto que eu não consigo imitar”. Durante um tempo o passarinho ficou a fitar seu pai à espera de uma nova tentativa, mas sem mais assobios, o passarinho voltou a dormir em paz, protegido, quase escondido, em cima do galho recém podado.
                O passarinho despertou lembranças. Uma bela, longa e apaixonada fala sobre pássaros. Não pássaros de qualquer lugar, de qualquer árvore, falou bonito sobre os pássaros que num passado visitavam com frequência seu quintal. E não o visitavam à negócios, iam por prazer, pelo prazer de cantar. Seu pai os atraia com assobios... Mas claro que nunca seu pai esqueceu e nem se esquecerá de nos trazer os petiscos, e por força do habito oferecia quirelas de milho num coxinho dentro de uma gaiola aberta, por um passadiço os pássaros entravam e saiam da gaiola, felizes e cantantes, satisfeitos e acima de tudo livres.
Nunca seus discursos terminam vazios, por fim, ele disse:
- Por isso tudo, eu queria ele aqui.
Tranquilo e paciente calmamente sentou-se novamente junto a mim na grama. “Eu quero que no futuro ele me escolha”, seus olhos carregados de saudade compartilharam comigo o amor que sente por você. Não pude deixar de abrigar em mim também esse tão sincero amor. E ele continuou, “ quero contar-lhe uma história, e depois outra e outra, e por fim contar tantas e tantas histórias de saudade que assim ele entenderá o quanto senti sua falta, entenderá o quanto tenho pra contar, pra ensinar, pra mostrar, entenderá o valor de ser um filho, não um filho qualquer, um filho meu.”
Eu, que entro na história não sei se como narradora, se como personagem, se como mãe, não sei, entro como alguém que precisa escrever para que num futuro leias o amor de seu pai, que é imenso, único, e exclusivamente seu.
Nesse quintal que lhe anseia, eu e seu pai compartilhamos a vida, e ao falarmos de mim, dele, de nós, você surge, e é importante.
Um abraço meu, que nunca te vi.

Selmy Menezes.
24/04/2013. 20:31h.

4 comentários:

  1. Que Lindo!!! Um dia ele Vai gostar muito de vc...

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  2. Maravilhoso! Lindo texto. Me emocionou|-)

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  3. oii gostei do texto fazia tempo que eu nao entrava aki eae esta td bm com vc trocoou no numero do cel neh tentei te ligar uns tempos atras toh com sdd da minha filha a ada tb qria mto q ela me visita se kkk boa sorte ai bjo

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  4. Selmyzinha, gosto de ler você! Beijo com saudade!

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