sábado, 8 de junho de 2013

Chorar o mundo.

         Não podemos deixar que o mundo morra, sem nem ao menos chorarmos por ele.
        Deus está em todo lugar. Está nas sementes que brotam e nas árvores que morrem; nos que morrem, nos matam e nos que nascem; está em tudo que é vivo e em tudo que espera; nas pedras; na terra; no planeta e nos planetas.
       Deus está em todos os que pedem e nos que agradecem, nos que riem e nos que choram, está na alegria e também na dor. Deus está em tudo, Deus é tudo. E Deus é grande, do tamanho de tudo que existe.
      Ontem eu chorei, e chorei pelo mundo, como se este fosse um doente que não se deu conta de sua própria ferida. Como uma gangrena nas costas de um cego, ele não a sente e nem a enxerga, ele não sofre e não a trata.
      E foi como se eu tivesse me dado conta de um pequeno ponto podre no meio do mundo. Um ponto podre a apodrecer tudo a sua volta. Doença que está a engolir florestas, animais, pessoas, o ar, a água...
      E eu chorei doído, triste, chorei sem dar a hora, nem o local, e nem o culpado da minha dor. Chorei humildemente pelo mundo, sem pretensões de curá-lo, sem nem sequer a esperança de ser escutada. E então surpreendentemente tive a forte sensação, de que Deus me ouviu. Como se Ele houvesse sentido minha dor. Porque minha dor cobriu o mundo, minha dor chorou no mundo, e Deus que está no mundo, chorou também. Chorou por quem recebe e por quem dispara as tiros, chorou pelos que lutam e pelos que fogem, Deus chorou comigo pelos que tentam e pelos que desistem, pelos que sabem e os que não sabem, chorou por mim, por todos, por tudo. E dividindo minha dor, me aliviou, e eu pude dormir.