segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Existência.

 Creio que nisso, todos concordamos: existimos.

 Existimos, e através dos meus sentidos eu percebo o mundo, eu sinto o cheiro do mundo, a cor do mundo, eu sinto o calor e o frio, o som e o gosto do mundo, eu com a junção dos meus sentidos, percebo a existência do mundo. Concluímos que eu, e o mundo existimos.

Eu sou pequena...tenho 1,60 de altura, peso 46 kg, quando calculo o espaço que eu ocupo no mundo, me sinto um grão de areia na imensidão do mar. Agora, se me vejo pequena quando penso no mundo, imagine só quando imagino o universo...

Tudo que sei do mundo é o que sinto dele, tudo que eu sei do universo, é que ele existe. Eu, tão pequena, alcanço a lua sempre que a vejo, eu sou o mundo quando o vislumbro em pensamento, eu existo, ocupo, eu faço parte do mundo, eu sou um ser que existe.

Eu existo, tenho massa, volume, predicados, atributos e um conjunto de hábitos que regem minhas ações. Nada nesse Tudo, é igual à mim.

 Então, eu, que sou só um ínfimo pedaço, como imagino o Tudo? De onde surgiu a idéia de Cosmos?

Por mais que a doença dos humanos: o excesso, me tenha afastado tanto do natural, em mim eu ainda sinto um grito do meu Eu. Que grita, chora e implora para que cumpra sua finalidade, que é fazer parte da harmonia do cosmos. A Harmonia subentende Naturalidade, não podemos forçar a harmonia.

Não precisa ser muito esperto pra notar que o mundinho dos seres humanos não é nem um pouco harmonioso, quem tem coragem de dizer que está tudo bem? que estamos fazendo o melhor? que estamos acertando? A realidade é que o Homem, não é e nunca foi sinonimo de Humano. Pq o homem, é esse ser inventado, esse ser sem liberdade que somos. Humano é aquilo que já sufocamos dentro de nós mesmos.

Humano é aquilo que sobra fora tudo que aprendemos e acreditamos ser. Pq o humano é natural. natural e harmonioso, como tudo que simplesmente existe.

Estou tão distânte do que sou realmente, que desse humano que sou, só percebo a existência. Se a existência é natural ela é também harmonica. Mas como já disse, estou distante do meu eu, distante de ser parte dessa harmonia do todo.

E é nesse ponto que a beleza invade a alma e repousa sobre às questões filosóficas, acalmando-as.

Como eu, que não sou harmonica, compreendo a harmonia? O engraçado é que Descartes pensou semelhantemente, creio eu, quando escreveu em suas Meditações, que "como um ser imperfeito, idealiza a perfeição?" . É essa essência, é esse humano, é esse o ponto.

Só idealizo a harmonia, pois dentro de mim, algo anterior ao que  fizeram de mim, esse algo é harmonioso.
Dessa harmonia que não vivemos, mas percebemos, surge o Belo. O belo é o fruto da harmonia.

Aristóteles, em seu livro A Poética, inicia seu pensamento afirmando que a poesia é imitação. Com "poesia", podemos entender "arte". Os humanos tem o dom inato de imitar. Logo, podemos concluir que sendo a arte fruto de uma característica intrinseca dos humanos, ela é real e faz parte do Humano, do qual nos distanciamos.

 O que nos liga à nossa essência é a capacidade que ainda temos de reconhecer o Belo e imitá-lo .

A Vida é Arte.