terça-feira, 28 de junho de 2011

Um recomeço.

Ao caminhar por uma estrada qualquer...Ella avista um atalho, uma placa empoeirada na beira da estrada, com uma seta e os dizeres "felicidade incerta" .Ella em sua infatilidade resolve seguir o atalho...áhh quantas flores, e quantos rios e cachoeiras, os cipós fazendo laços pelo chão, uma musica classica que acompanha a caminhada...derrepente um abismo.

Ella senta e chora, pensa ela "já andei até aqui, quem garante que não posso voar?". E Ella salta. O vento bate no rosto, leva os cabelos para cima, ela fecha os olhos pra sentir a queda, e o peso que não mais existe, o passado que pouco importava, o atalho que a trouxera a liberdade! Lá em baixo cai num lago, a água quente, uma flores boiando, o sol aquecendo a areia que rodeia a água.

Continua a caminhada, encontra uma floresta pouco iluminada, as árvores grossas fecham o caminho e escondem a linha de chegada...que linha de chegada? que chegada? Ella é corajosa, caminha devagar e sempre, toma cuidado com os espinhos, mas são tantos que uns prendem no cabelo, arranham o calcanhar. Mas a esperança da felicidade estava viva no coração de Ella, e ia a moça se emaranhando pelo mato, se cansando, se levando, se perdendo.

A floresta acaba e um descampado deixa-se ver. O céu azul não anuncia água, nao anuncia vento, não anuncia nada fora o azul que inunda a alma de Ella e a tranquilidade a deixa em paz, ela senta numa pedra grande e plana e se poe admirar o ambiente...se lembra da estrada que deixou pra traz, era tão cinza aquele asfalto, era tão frio, as britas no acostamento, as cruzes que marcavam os acidentes, que tristeza, e que felicidade de não estar mais lá...

A noite chega, e Ella sente frio. Sente saudade de sua cama quente, do chuveiro elétrico que a esperava em casa para um banho quente, a chaleira no fogão já com a água do chá. Ella se sente sozinha, a temperatura abaixa e Ella começa a sentir um desconforto e uma leve sensação de ter feito a escolha errada. Pensava ela "a estrada era feia mas pelo menos me levaria a um lugar certo". A noite não passa, as horas se rastejavam, o relógio marcava 6h e nada de o sol sair. 7h....8h....9h...a escuridão ainda adentrava cada canto do mundo...12h e o desespero já havia se instalado. Ella resolve voltar.

Pelo escuro, apalpando o chão, rasteja tentando encontrar o caminho de volta. Lembra-se da floresta, do lago, do abismo...como voltar? Ella se pergunta "quando pulei no abismo, voei ou cai?" ...
Depois de dias perdida, um rapaz magrinho, de olhos tristes e ombros caídos lhe aparece à frente :
- Perdida moça?
- Há dias.
-Quer ajuda?
- O problema é o paredão, eu pulei quando vinha, pra voltar...como fazer? Está claro que não sei voar...
O rapaz fita a moça com olhos cheios de compaixão, de pena, de tudo que pode ser sentido atravez do coração e não da razão.
- Voar eu não sei, mas sei escalar. Não sei qual o caminho que fizestes, mas sei criar um novo pra te levar de volta. Não sei te carregar no colo, mas sei lhe dar a mão.
- É tudo que quero.

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