sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O quarto.

Sara acordou preocupada, estava amanhecendo mas ainda estava ligeiramente escuro, a claridade lá fora que transpassava a janela declarava o que seria um dia quente, o orvalho da noite ainda umedecia os vidros, os feixes de luz formavam um desenho na parede verde do quarto, passava pela vela que ainda queimava, o incenso de canela ainda aceso lambia o teto com sua fina fumaça que brincava nos ares do quarto, o cheiro havia adormecido nos cabelos de Sara, no travesseiro, tudo cheirava a canela, e o quarto dormia num silencio aconchegante, logo logo os carros começariam a fazer barulho lá na rua.
Sara não ousou se mover, com a pouca luz que havia, observava Elle dormindo, os olhos tristes adormecidos no profundo mundo impenetrável dos sonhos, Sara se perdia na respiração calma que tanta paz transparecia. A claridade no quarto aumentava, a vela diminuia, o incenso exalava os cheiros de Sara. Elle dorme, Sara olha...o tempo passa.
Finalmente o despertador grita no criado mudo, já são 6:00 e o mundo chama ás obrigações. Sara se levanta e abre a janela, o sol entra e esquenta o quadro da mão que segura uma flor, ela respira o ar ainda perfumado da dama-da-noite, a fumaça do incenso escapa pela janela e por debaixo da porta. Elle acorda e lança um olhar de bom dia.
Sara tem aquele quarto não somente como o cômodo onde se põe a cama, e sim o local que abriga os desejos, as conversas mais intimas, mais sórdidas, os choros mais compulsivos, os gemidos mais sinceros...e o dia esquenta lá fora e Sara é obrigada a deixa-lo, se despede com um beijo, olha já com saudade as paredes do quarto, apaga a vela.



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