segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Filme.

Sara é como um filme que se vê aos poucos, é como um quadro que se revela pincelada a pincelada, uma canela que nunca sai da árvore. E as vezes eu imagino que é justamente essa falta de totalidade que instiga a paixão do rapaz, é quase uma curiosidade...

Sara é uma arte no mais puro significado do abstrato, vive noutro plano, num mundo submerso num liquido azul, as correntezas movimentam os cabelos soltos da moça intrigante...e nesse mundo a moda não existe, o que há é vida, árvore, livros, música, cor...sabor.

O moço se afunda no olhar de Sara, porque ele nada mostra além de duas pupilas escuras, cílios grandes e grossos, um olhar curioso e tranqüilo. Sara sente que o rapaz quer somente entender o que ela é, que tipo de coisa é essa que anda de vestido cantando os anos 80, entender porque ela prefere o cachorro ao colar, porque ela coleciona livros tão monótonos...Logo Sara resolveu por não lhe revelar todo o conteúdo, e criar novos quadros antes que ele veja todos os já feitos, Sara que ter certeza que a curiosidade dele vai viver pra sempre, que seu olhar irá sempre acompanhá-la.

Sara ama tanto os olhos tristes que a olham curiosos, intrigados...sedentos, molhados..."que nunca ele se vá"...pensa ela...

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