quarta-feira, 28 de julho de 2010

Só o presente existe.

Eu acabei de apagar um texto enorme sobre o passado, ainda vou deixar o título pra que meu texto não suma por completo. Eu escrevi sobre "não devemos pensar muito no passado pois ele não existe de fato"...Mas eu pensei melhor, são só algumas lembranças que queremos apagar, não todas.

Lembro que eu era criança e pulava nas poças d'água quando chovia, eu subia numa jabuticabeira carregada de fruta pra comer da mais alta, eu ria até cair pra trás com meus amigos da escola, eu jogava giz nos alunos coitados (...), eu comia pão caseiro e adivinhava quais eram os ingredientes dos sucos que Valeria fazia. Eu lembro também de passados mais recentes onde eu conheci o Augusto, cansada depois da escola, sentada numa cadeira de canto no escritório de Milena, entra ele na sala todo arrumadinho cheio de gel no cabelo, de correntinha no pescoço, boné, olha pra mim animado, me dá um oi sem muita emoção, pega uns papéis e vai embora pro escritório de seu pai. Eu juro que nunca pensei que 1 ano e quase 10 meses depois eu estaria nesse nível de relação com aquele carinha, meu eterno amigo e namorado.
Eu lembro também da emoção que senti quando dirigi pela primeira vez, um gol branco, correndo pelas estradinhas desertas da represa da Light.

Enfim, são tantas as coisas boas de lembrar, mas as coisas ruins, é inútil lembrar, afinal elas não existem se eu não quiser...

Um beijo povo, hoje foi confuso meu texto, eu sei....mas a foto é boa =)

Dois bejos xuxu =)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Cenas pequenas, momentos incríveis

Crianças são felizes? Por que??

Todo mundo gosta de dizer que todas as crianças são felizes, mas, eu fiquei pensando, crianças não podem sair de casa sozinhas, não conseguem tomar banho direito, não podem comer o que querem, têm que dormir cedo, enfim, confinadas na própria idade.
Porém, comecei a pensar na minha própria infância, e lembrei porque eu era feliz.
De manhã, Valeria vinha me acordar dizendo "acorda Maria bonita, acorda pra fazer café, o dia já vem raiando e a polícia já está de pé" hehehehehhe, que comédia. Eu levantava e já estava tudo pronto na mesa, um prato de papa, suco, bolo, pão caseiro, e eu comia tudo enquanto ela lavava os pratos, cantava músicas do cantor cristão, aquela Mãe com M maiúsculo.
Eu brincava na terra com as panelas de Valeria, fazia bolinhos de barro, e ainda dava pedaços pra ela achando mesmo que ela guardaria pra depois comer. Eu tinha uma bicicleta cinza, descia a ladeira a mil por hora passando por cima das pedras, desviando dos buracos, acenava para os bois como se eles realmente me entendessem.
Jether chegava no fim de semana, chegava com uma mochila nas costas, com um cheiro de café, de viagem, de cansado, mas passava por cima de tudo e me abraçava como se eu fosse a criança mais amada do mundo, ouvia minhas histórias bobas como "há, eu brinquei com o cachorro, corri no pasto, brinquei na lama, comi flor, tomei banho de mangueira", me ouvia enquanto tomava café. Na segunda feira, ia-se embora de novo, levando a mochila, levando minhas histórias, meus desenhos, minha saudade.

Esses dias, andando de carro por uma rua qualquer, eu vi uma cena, que me fez lembrar a emoção de ser criança. Uma menina magrelinha corria pela calçada como quem queria alcançar a velocidade da luz, abria a palma da mão, com os dedos juntos para dar aerodinâmica, o cabelo liso esvoaçava no vento, ela pulava as irregularidades do chão, com um sorriso imenso nos lábios, eu pensava "pra onde ela vai?", acompanhei a menina com os olhos para ver onde ia, e vi que na esquina um homem esperava por ela, muito alto e gordo, provavelmente seu parente. Ela pulou no seu colo, entrelaçando as pernas na cintura enorme do homem, agarrada em seu pescoço com os olhos fechados de tanto riso. Enfim o meu carro foi pra outra rua, a menina feliz com o homem gordo sumiram e vivem hoje somente em minha memória.

Crianças são felizes sim, porque correm sem medo de cair, comem sem medo de dor de barriga, riem sem medo de alguém brigar, dormem sem medo de acordar.

Mas os anos passam, e a infância fica num passado longínquo, guardada num lugar especial de nossas lembranças, passamos a brincar menos, a rir menos, a dormir menos, mas há felicidades, sempre há felicidades.
Hoje eu não quero mais um bolo de terra, mas quero um diploma merecido, um amor pra vida toda...vida toda, isso significa "pra sempre", então, o "vida toda" ja começou a muito tempo, meu amor pra vida toda já está comigo vivendo cada dia pra alcançar a vida inteira. Eu quero uma casa de campo, um violão, um cachorro no tapete da sala, uma lareira que aqueça nossas conversas e nossos risos.

A vida é cheia de felicidade, todas as fases, todas as horas. Pessoas que fazem felicidade, que nos dão felicidade.

Um beijo pessoas
Xuxu...obrigada, eu amoo tu

Comentem....

terça-feira, 13 de julho de 2010

A minha janela colorida, limpa, colorida, limpa....

Sara limpou as vidraças, cortou os cabelos, abriu os olhos, respirou fundo, sentiu o profundo, foi mais além.

Quando Sara nasceu, todos olharam, pensaram "é um neném, tem a cabeça grande, olhos curiosos, uma boca sem dente, é ligeiramente careca...um bebê comum", foi colocada num quarto de janelas grandes, ocupavam quase as paredes inteiras, com vidros enormes, limpos, lisos...de manhã o sol adentrava o quarto, iluminava a porta de madeira que nunca se abria...Sara crescia ali, engatinhava pelo chão gostando do que via, conhecia aquele ambiente, era seguro, claro e seguro.

Os dias se passavam, os anos, Sara crescia e começava a se questionar sobre o mundo lá fora daquele quarto, ali era bom, havia brinquedos, cobertores, janelas, lá fora um jardim sorria, mas, há mais? Ou a vida é basicamente um quarto bem iluminado, comida na hora certa, livros que vêm por debaixo da porta...
Certo dia, Sara pensou em perguntar à seu pai como era lá fora, se era quente como parecia ser, afinal Sara via um mundo lindo através das vidraças, mas, ela queria sentir o cheiro da grama, ver se era tudo aquilo, ou se não era tudo aquilo. Se aproximou da porta, chamou baixinho seu pai:
-Como é lá? Eu já li livros, já ouvi suas histórias, e o sol que entra aqui no quarto é muito bom e quente, mas, como é lá? Eu posso ir?
-Não precisa ir lá pra saber como é Sara- respondeu ele-Eu vou te mostrar tudo que precisa ver, sem precisar sair daqui, afinal, lá chove, aqui não, lá faz frio as vezes, aqui não...aqui, você pode olhar la fora e ver tudo que precisa saber.
Sara deu um olhar vago lá pra fora, o sol parecia tão acolhedor, os girassóis olhavam felizes para ele. Sara demorou a dormir....
No outro dia de manhã, Sara acordou, abriu devagar os olhos, e notou uma luminosidade diferente no quarto, estava tudo azulado, as paredes eram creme e agora pareciam azuis, o que era aquilo? Levantou assustada e viu seu pai lá fora pintando as vidraças, com um pincel grande espalhava tinta azul por todos os vidros de uma só janela. Ele a viu e sorriu, disse:
-Você está vendo? Você vai ter uma visão mais bonita do sol agora filha, a luz ao passar pela janela vai banhar de azul boa parte do quarto!
Sara não sabia se ria, se chorava, não podia decepcionar o pai e dizer-lhe "não faça isso, eu gosto do sol como ele é", ele estava tão feliz, tão certo.

Todos os dias quando Sara acordava, via seu pai pintando seus vidros, de diferentes cores, parecia uma distração na vida dele, ele passava horas pintando as janelas de Sara, começou a passar tinta por cima das que já haviam no vidro, as vidraças estavam irreconhecíveis, o quarto de Sara não era mais tão bem iluminado. Com o passar dos anos, Sara nem lembrava mais como era a sensação do sol iluminando o quarto de manhã, o tom amarelo, já esquecera o calor do meio dia...esquecera, se perdera...Se alguém perguntasse à Sara "como é a luz do sol Sara?" ela responderia "...creio que seja colorida, as vezes azul, as vezes verde, vermelha, depende do dia" ....

Os anos passaram, e Sara definitivamente esqueceu a cor do sol, limitada à vidraças coloridas, convicta de um sol inexistente, certa de uma luz falsa....como dizer à Sara que os vidros de seu quarto, escondem o verdadeiro sol?

Um rapaz, certa vez, caminhando pelos arredores da casa de Sara, avistou duas janelas grandes, com seus vidros pintados, se aproximou pra ver melhor, notou várias camadas de tinta, pensou "quem fez isso? tapou a luz do sol..."...já ia embora quando ouviu uma menina cantando dentro do casa, dentro daquele mesmo quarta das janelas pintadas, se encantou pela voz, pela canção calma, sentou no peitoril da janela, olhou pro céu, fechou os olhos para ouvir melhor. Sara parou de cantar, o rapaz acordou de seus pensamentos, e disse:
-Estou te ouvindo! Sua voz é linda! virei amanhã te ouvir de novo!
Sara não respondeu, quem é ele?
O rapaz voltou pra casa sem tirar a voz da cabeça, lembrando das novas, no som, imaginando a moça, a imaginava loira, com olhos grandes e verdes, um cabelo longo que balançava gracioso enquanto ela cantava, imaginava um colo rosado, que subia levemente com a respiração feminina de uma moça delicada. No outro dia, levantou cedo, queria falar com a moça, ver o rosto dela, confirmar as expectativas, ouvi-la cantar. Ao chegar na casa dela, reparou novamente nas janelas pintadas, pensou "se não houvesse tanta tinta, poderia olhá-la..." Se encostou na janela, chamou a moça, esta já estava do outro lado da janela, à espera do rapaz desconhecido. Conversaram, riram, ficaram nervosos por uma centelha de sentimento, o coração de Sara se comovia com a voz dele, não conseguia formar uma imagem, ele era somente uma voz, que acolhia, que preenchia o vazio do escuro do quarto, uma voz que acalentava.
Já de noite, o rapaz deitado em sua cama lembrando da moça, "Sara o nome dela" pensava ele, talvez seja ruiva, Sara é nome de gente branquinha, a imagem da moça loira repousou em outra parte da mente do rapaz, agora ela era vermelha, com pintinhas no rosto, com os cílios grandes e ruivos, isso...ela era ruiva. A expectativa do menino era tão grande, não aguentava mais, ela devia ser linda, de qualquer forma linda, tinha voz de gente linda. Não aguentando a ansiedade, foi de madrugada à casa de Sara, levou um pano, um balde, limpou as vidraças na calada da noite, foi embora sem ser visto.

No outro dia, Sara acordou cedo, o quarto iluminado como nunca tinha visto, ou tinha? aquela imagem tão clara era tão gostosa, como se num passado distante ela já houvesse visto. Olhou as janelas e finalmente viu, AS VIDRAÇAS!!!! os vidros limpos deixavam a luz entrar, o sol esquentava o cobertos, as paredes em creme!!! Uma felicidade desmedida, o sol!! o sol!!! era amarelo!!! Já havia esquecido....
O rapaz veio de manhã pra ver Sara...se aproximou da janela, finalmente viu. Sara não era ruiva, não era loira, era morena, não muito bonita, mas interessante, um moreno claro, um cabelo café, em tons de marrom Sara se dividia, parecia ser feita de chocolate, canela e café, era um doce em forma de mulher, uma pinta intrigante no pescoço, Sara parecia um desenho, olhos grandes e escuros, uma boca delineada, cílios grandes e sedutores, Sara Sara....
O rapaz passou horas olhando a moça, através da janela limpa, o sol refletia nos cabelos dela, ele sorria. E Sara simplesmente pensava somente nas vidraças limpas, ele havia limpado? então era sujeira aquele escuro todo? Ela havia esquecido a cor do sol, do verdadeiro mundo...quem havia feito aquilo? aprisionado ela num mundo irreal...ela lembrou, ora seu pai...ela o amava tanto, e sabia que ele queria aquelas vidraças pintadas, havia algum motivo!
Seu pai viu as vidraças limpas, e ficou furioso com Sara, afinal, estava errado! o mundo não pode ser visto nu. Pintou novamente as janelas. Sara ficou no escuro...

O rapaz limpava os vidros durante a noite, Ele (...) pintava novamente durante o dia.. Sara fingia não saber quem limpava, pois amava aquele rapaz, ele abria os olhos dela para ver o mundo real, o sol como realmente era, Sara amava o olhos caídos que ficavam horas à olhar pra ela....

Bjo povo..

Xuxu...Brigada..eu amo você

Yas....Sara cortou o cabelo...hehehhe..