terça-feira, 29 de junho de 2010

Nos dias que a saudade bate...


Naqueles dias em que o sol se põe e temos a impressão de que não irá mais tarde nascer, é um frio que lambe o fim das costas fazendo a nuca arrepiar, o céu escurece e as estrelas surgem mas não parecem brilhar tanto, e nesse universo obscuro da saudade, onde o mundo não é mundo, onde a vida não é vida, o sorriso perde a cor, nesse universo de tristeza contida, reprimida, sentida, nesse universo onde Sara as vezes repousa, se deita numa cama de lembranças, se cobre de saudade, se enche de ansiedade, adormece sob as ilusões de uma menina calejada, que finge não sentir tudo que explode dentro de seu peito, que finge não se irradiar quando ele lhe dá uma flor laranja.

Ele partiu, iria voltar, disse que iria voltar, disse aos sussurros no último beijo. É tão triste quando ele viaja, Sara se sente perdida, como uma criança que se perde dos pais na praia, uma imensidão de areia, de desconhecidos, de guarda-sóis, tudo porque insistiu em colecionar conchinhas ...Sara, se perde por querer colecionar declarações, vai entender.

Sara gosta de uvas-passas cobertas de chocolate, doce que a lembra dele, Sara gosta dos dias de sol quando ele a acompanha no passeio com o cachorro, Sara gosta do olhar caído quando ele se distrai, gosta do beijo nervoso, do abraço, esses abraços, ninguém pode entender o coração de Sara, depois de um dia inteiro, ele cai nos braços de Sara como um bebê, apóia a cabeça nos ombros dela como uma criança cansada, exala saudade, exala conforto, é tudo que Sara precisa, é tudo que Sara deseja, claro, que Sara deseja outras coisas, como uma mesinha giratória onde possa esculpir uma imagem bem profunda, um cachorro grande que se deite no tapete da sala, uma planta com folhas grandes que fique no canto do quarto, um carro antigo, uma pedra de vidro, um ouro bruto....tantas coisas, mas tudo parece não ter sentido, se ele não estiver lá, por perto, como uma bússola, como um farol, ou somente como um amigo.

Saudade é o que alimenta os apaixonados já dizia Ruben Alves, Sara não gosta desse termo, apaixonada parece até vulgar, comum, sedento, insensato, Sara não se deixa levar pela beleza proposta, Sara quer mostrar como é segura, certa, exata, dona de si e do mundo, dona do céu, do vento, do sentimento; mas quando se deita, põe de lado a armadura, tira a fita do cabelo, deita nua na cama, se aninha nos braços dele, no calor do sentimento puro, na verdade da cena, e se sente tão segura, tão confortável, tão despreocupada, e se sente bipolar, de dia é tão segura, de noite é tão desarmada, quem Sara realmente é?

Sara é assim mesmo, uma camélia suja, num vaso de flor caro, e ele a rega todos os dias...mesmo quando está ausente, afinal, vivemos de saudade....

beijo povo.
dois beijos xuxu
foto: pôr do sol aqui no sítio.

Um comentário:

  1. Virei realmente fã de Sara!
    Saudade é o tempero da vida, a lembrança do amor,do sorriso e até do tapa.
    parabéns flor
    um beijo

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