sábado, 26 de junho de 2010

Marguerite Gaultier

Sara acordou já cansada, o escuro do quarto se quebrava pelos primeiros raios de sol que adentravam as frestas da janela. Levantou-se e foi arrastando os pés até a cozinha.

Os últimos dias tinham sido relativamente calmos, as plantas no quintal têm crescido rápido, o abacateiro está com jeito de árvore grande, a hortelã se espalha pelo chão e deixa um cheiro forte envolta de si mesma, a couve passa o dia todo com as gotas de orvalho da noite. Ao longe uma plantação de eucaliptos faz um barulho de mar, o céu parece brincar com suas nuvens fazendo estas sombrearem alguns lugares dos pastos.
Na calmaria do campo Sara se sente tão só, só dentro de si mesma, não que não haja pessoas à sua volta, é dentro dela, a solidão de caminhar sozinha por suas imensas estradas de crises enormes, de livros extensos, de pensamentos longínquos. Sara se sente como Marguerite Gaultier, uma personagem de um livro que leu " A Dama das Camélias", Marguerite era sozinha rodeada de gente, era linda e feia por dentro, era grande por dentro e espaçosa por fora, não dá pra explicar, tão amada e tão culpada....

Certo dia de manhã, Sara acordou e havia do lado de sua cama em cima da mesa, um vaso roxo de flores laranjas, um bilhete escrito à mão que dizia "pra sempre", uma taça de vidro com doces de uvas passas cobertas de chocolate. Sara analisou o bilhete, pensou "só o presente existe."



um bejo povo
dois bejo xuxu

2 comentários:

  1. me encantei com essa Sara, acho que a maioria irá se encantar!
    quero sim Sel, todas as histórias!!!
    beeeeijos.
    linda foto

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  2. A Dama das Camélias do Dumas Filho

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