quinta-feira, 18 de março de 2010

Canella

















Já parou para pensar nos cheiros? Não no cheiro do perfume, no cheiro das coisas, das pessoas, da árvore, da casa...

Sara é morena, já cresceu, não está mais com seus 8 ou 9 anos, agora desfruta da juventude que só os jovens entendem. Sara tem uma cicatriz no braço direito de um machucado que fez em sua infância, mas quem é que não tem cicatrizes não?! Mas a idéia da imagem de Sara é muito mais profunda do que apenas uma moça que se divide em tons de marrom, é também uma moça que cheira a canela, e não é pelos perfumes, sabonetes e cremes que usa, não, ela simplesmente cheira a canela.

Quando era criança, com seus 6 ou 7 anos, Sara conheceu um menininho que já se descobria em sua pré-adolescência, o menino não tinha nome, se tinha Sara nunca soube qual era, ele era moreno com os olhos tristes, um cabelo grande, os dentes separados, e nesse conjunto todo uma personalidade esquisita o apimentava, elétrico como qualquer rapazinho, corria de um lado ao outro da sala sem notar a presença de Sara, mas Sara por sua vez, na delicadeza que só uma menininha pode ter, notava que toda vez que o menino passava por ela deixava um cheiro de camomila no ar, ao certo o cheiro se devia aos remédios que sua mãe dava para ele se tratar de sei lá o que, não faz mal...com ou sem doença, camomila não faz mal. Sara nunca mais o viu, o menino se mudou, foi crescer em outros ares.

Sara cresceu normalmente, conhecendo pessoas, fazendo besteira, comendo doce, fazendo festa de aniversário, essas coisas. Certa vez, no meio de um dia corriqueiro, Sara no escritório de sua irmã fazendo hora, entra na sala um moço baixinho, com olhos tristes, pedindo papéis...ao ir embora deixou no ar o mesmo cheiro de camomila...hã?

Uma moça que cheira a canela, um rapaz que cheira a camomila....isso parece até um chá!


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